sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Críticos de Joaquim Barbosa nada falam sobre encontro de magistrados e advogados do mensalão

Dois pesos – a Cobrar coerência no mundo político é tarefa hercúlea, quiçá não seja missão impossível, mas não custa insistir no tema. Quando o ministro Joaquim Barbosa, relator do caso do Mensalão do PT (Ação Penal 470), foi flagrado em uma mesa de bar de Brasília no período em que estava de licença médica, os petistas centraram esforços na divulgação do fato, como forma de comprometer a imagem do magistrado.
Portador de dores crônicas no quadril, o que o obriga a trocar constantemente de cadeira no plenário do STF e a se ausentar das sessões de julgamento para rápidas massagens, Joaquim Barbosa se vale das licenças médicas nos momentos de crises agudas, o que não pode ser interpretado como um atestado de óbito. Quem é afastado do trabalho por ordem médica não está proibido de viver, como quiseram os petistas por ocasião de encontro de Barbosa com amigos.
A falta de coerência que reina na política não deixa de fora do seu alcance os petistas, muito pelo contrário. Esses são os primeiros a abusar no chamado “non sense” para justificar atitudes que eles próprios condenaram no passado. Na noite de quarta-feira (22), o ministro Marco Aurélio Mello, o procurador Roberto Gurgel e alguns dos advogados que defendem os mensaleiros – Márcio Thomaz Bastos, Alberto Zacharias Toron e Arnaldo Malheiros Filho, entre outros – participaram de forma amigável de festa, na capital federal, em homenagem aos 80 anos do também advogado José Gerardo Grossi, um dos grande nomes do Direito verde-louro. Até mesmo a namorada de José Dirceu, Evanise Santos, representou o chefe do mensalão na festa de Grossi.
No salão de um hotel de Brasília, os convivas chegaram a fazer algumas brincadeiras relacionadas ao julgamento do maior escândalo de corrupção da história nacional. O que há de errado nesse episódio? absolutamente nada, assim como normal foi a saída de Joaquim Barbosa. Se para os petistas a ida de Barbosa a um bar durante licença médica foi o maior dos escárnios, resta saber o que esses paladinos da moralidade têm a dizer sobre o regabofe que reuniu defensores de mensaleiros e magistrados incumbidos de dar um basta à corrupção e à impunidade.

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

VÍDEO MOSTRA GOVERNADOR DO MATO GROSSO DO SUL COAGINDO FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS PARA ELEGER SEU CANDIDATO A PREFEITO DA CAPITAL.

Candidatos petistas criticam a saúde pública paulistana, mas esquecem as promessas de Lula para o setor

Óleo de peroba – O Brasil é o país da piada pronta e o PT é o maior celeiro de anedotas do planeta. Na propaganda eleitoral que invade diariamente invade as emissoras de rádio e televisão do País, o Partido dos Trabalhadores vem destilando inverdades, uma atrás da outra, como se a memória do eleitor fosse nula.
Na cidade de São Paulo, os candidatos petistas que disputam um mandato de vereador abordaram, nesta quinta-feira (23), o tema da saúde. Como representantes de um grupo político que vive à sombra de acertos administrativos infindáveis, os candidatos do PT desfiaram críticas ao sistema público de saúde da capital dos paulistas. É importante destacar que ainda há muito que fazer para melhorar a saúde pública em São Paulo, mas essas críticas não existiriam se Gilberto Kassab tivesse mantido o apoio a Fernando Haddad, candidato imposto por Lula. Ou seja, política é uma ode ao oportunismo e à mentira.
Em 2006, quando se preparava para a campanha em busca da reeleição, o messiânico Luiz Inácio da Silva disse que a saúde no Brasil estava a um passo da excelência. Uma sonora e descomunal inverdade, pois brasileiros continuam morrendo nas filas dos hospitais que integram o Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo reconhecendo, tempos depois, que mentira, Lula ousou sugerir ao norte-americano Barack Obama que implantasse nos EUA um modelo semelhante ao SUS.
Para mostrar que os petistas não se avexam na hora de mentir, a saúde pública no Rio Grande do Sul, estado governado pelo incompetente Tarso Genro, obriga muitos gaúchos que vivem nas cidades lindeiras a procurar hospitais em países vizinhos. Em outras palavras, no PT falta espelho e sobra desfaçatez.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Voto contra Pizzolato confirma a existência do mensalão e mostra a eficácia do julgamento “fatiado”

Prova dos nove – Ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato deve ser condenado pelo crime de corrupção passiva por ter favorecido a agência DNA Propaganda, de propriedade de Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser o operador financeiro do Mensalão do PT. Esse é o entendimento do ministro revisor Ricardo Lewandowski, que seguiu o voto do relator, Joaquim Barbosa.
Na Ação Penal 470 ficou provado, segundo o revisor, que Pizzolato recebeu R$ 326 mil do esquema comandado por Marcos Valério para adiantar a liberação de R$ 73 milhões para a DNA, que tinha contrato com o Banco do Brasil. “Chama a atenção o valor fracionado do dinheiro recebido, o que sugere recebimento de uma comissão de atos praticados ou supostamente praticados em contrato entre DNA e Banco do Brasil”, destacou o ministro Lewandowski.
Na denúncia da Procuradoria-Geral da República consta que Pizzolato enviou um funcionário da Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) para receber, em seu nome, R$ 326 mil em uma agência do Banco Rural, na capital fluminense. A defesa, por sua vez, alegou que Henrique Pizzolato apenas fez um favor a Marcos Valério e que encaminhou o envelope, sem abrir, a pessoa não identificada do PT.
Ora, se o relator e o revisor votam pela condenação de Henrique Pizzolato, que por ocasião do escândalo afirmou que as ordens partiam de Luiz Gushiken, não há como contestar a existência do Mensalão do PT, fato que o ex-presidente Lula agora nega com todas as letras. Estranho é o fato de alguém encaminhar um envelope com tanto dinheiro a pessoa desconhecida ou não identificada.
O voto do ministro Ricardo Lewandowski, contra o ex-dirigente do Banco do Brasil, mostrou que o “fatiamento” do julgamento é a forma mais adequada para enquadrar e condenar, quando for o caso, os envolvidos no maior escândalo de corrupção da história nacional.

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Falar demais, ouvir de menos

(*) Carlos Brickmann –
 Dois ministros dormindo num dia, um ministro dormindo no outro, sabe-se quantos telespectadores dormindo a cada reunião do Supremo no julgamento do Mensalão. É um caso importantíssimo; e chatíssimo. Pior, é chato sem necessidade. Todos já sabem que os meritíssimos têm méritos, os doutores são doutos, as excelências são excelentes. Por que ocultar o pensamento sob tantas palavras?
Imaginemos que as mil e poucas páginas do relatório fossem divididas: uma parte, curta, traria opinião e decisão do ministro; outra, com citações, antecedentes, justificativas, se transformaria em links da Internet. Quem quiser lê-las as terá à disposição, sem consumir duas ou três tardes ouvindo a leitura de tudo – e, melhor, podendo retornar a algum trecho, se quiser. Caso alguém prefira ouvir, o link trará uma opção de som, com um locutor profissional e especializado.
Estranho? Nem tanto: antigamente, os processos eram escritos a mão em papiro ou pergaminho; passaram a ser impressos, sem que nada se perdesse. Hoje é desnecessário, como era feito há pouco tempo, costurar os processos com barbante. Por que não usar os meios eletrônicos para facilitar o trabalho dos ministros e advogados, para que o público entenda melhor o que está acontecendo?
Este colunista, dizem pessoas abalizadas (especialmente parentes e amigos), não é burro. E não tem a menor condição de acompanhar e entender a posição do juiz expressa em mil páginas. O palavrório desperta o sono, não a inteligência. Que o processo judicial acompanhe os tempos. Mil páginas, nem Shakespeare.
O limite da atenção
Contam as velhas lendas que o rei Xeriar, da Pérsia, enlouqueceu ao ser traído pela esposa. Casou-se então com uma virgem, e após a noite de núpcias mandou matá-la. Casou-se com outra virgem, e após a noite de núpcias mandou matá-la (e assim morreram muitas e muitas mulheres). A folhas tantas, casou-se com Scheherazade, que pediu ao rei para contar-lhe uma história. O rei concordou; e Scheherazade contou-lhe uma história, parando num trecho especialmente interessante. O rei, curioso em saber a continuação, não a matou. Durante mil e uma noites, a moça foi-lhe contando os capítulos de sua história. Quando terminou, já tinha três filhos do rei; e ele desistiu de matá-la.
Imagine o que teria acontecido a Scheherazade se, em vez de contar a história em capítulos, tivesse na noite de núpcias sacado um robusto volume de mais de mil páginas. O rei nem consumaria o casamento: iria direto para a execução.
O início da campanha
Esqueça as pesquisas, os chutes, a torcida: a campanha eleitoral começou agora, com o horário gratuito. O caro leitor pode achar que é chato, pode assistir aos programas da TV a cabo, pode ir para o computador. A maioria do eleitorado vê e ouve o horário gratuito, nas cidades em que é disponível, e o usa para escolher seu candidato. Isso não vale para vereadores, que mal têm tempo para dizer seu nome prometer que vão lutar pelo povo. Mas, para candidatos a prefeito, é vital.
Erundina conta tudo
A deputada socialista Luiza Erundina (que apoia o petista Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo) resolveu contar tudo sobre as alianças de Haddad e da presidente Dilma Rousseff. Narra como Haddad comprou o apoio de Paulo Maluf para ganhar mais tempo na TV – o que a levou a desistir de ser sua vice. “Houve barganha. O Maluf exigiu a Secretaria da Habitação, que tem obras, no Governo do Geraldo Alckmin, em troca do apoio ao José Serra”, conta Erundina. “Como o Alckmin se negou a dar a Secretaria, Maluf veio para o Haddad. A presidenta Dilma deu para o Maluf uma secretaria nacional com mais recursos orçamentários. Foi pago para que o Maluf se coligasse com o PT”.
Aqui não fico
A narrativa de Erundina vem dois meses depois de ter renunciado a ser vice na chapa do petista Haddad. Explica que a aliança firmada entre Haddad, Maluf e o ex-presidente Lula – que confraternizaram na mansão de Maluf – foi um golpe que a deixou decepcionada e a fez desistir da disputa.
A seu ver, a aliança mostrou o quanto a política brasileira teve seu nível rebaixado.
Fogo alto
O julgamento do Mensalão ofusca outros acontecimentos; mas as coisas continuam rolando e, mais cedo ou mais tarde, vão acabar virando manchete. A mais importante é a CPI do Cachoeira: de acordo com a procuradora Lea Batista de Oliveira, o grupo de Cachoeira não foi desarticulado com sua prisão, e continua capaz de ameaçar quem o investiga (ela, por exemplo, conta que recebeu dois e-mails com ameaças e que uma mulher não identificada tentou entrar no prédio em que mora às 5h45 da manhã, sem êxito). “É uma organização criminosa armada, sofisticada, complexa e ousada com código de silêncio orquestrado”, afirmou. Acredita que é por esse motivo que os acusados nada respondem na CPI.
Fogo baixo
Mas a empreiteira Delta tende a ficar fora das investigações. Pelo que se comenta, a Delta tem ligações com partidos demais, ajudou gente demais, sabe demais. Quando um caso tem muitas ramificações, costuma-se deixá-lo de lado.

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Governo do PT abandona a legislação e silencia diante da proposta de “escravagismo voluntário” na Copa

Na contramão – No momento em que o noticiário político sofre com a falta de informações, a imprensa nacional deu destaque, na terça-feira (21), à abertura das inscrições para os que desejam trabalhar de forma voluntária na Copa das Confederações (2013) e na Copa do Mundo (2014). O evento de lançamento foi organizado pela FIFA e contou com a participação de integrantes do Comitê Organizador Local (COL).
O material de divulgação do processo de inscrição destaca que se trata de atividade “cívica”, na qual os voluntários terão a oportunidade de recepcionar turistas de todo o mundo, em jornadas que poderão se estender até dez horas diárias, tempo que ultrapassa o que determina a legislação trabalhista vigente.
O absurdo ganha contorno extra com o perfil voluntário do trabalho, ou seja, os que trabalharem nos dois eventos esportivos dedicarão o suor por amor à pátria, enquanto os dois certames futebolísticos renderão verdadeiras fortunas a todos os envolvidos, sem contar o dinheiro público que será desviado das obras para ambas as Copas, a exemplo do que ocorreu nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro (2007).
A expectativa é que ao todo 100 mil voluntários participem dos dois eventos esportivos nas mais diversas áreas, mas os ligados à FIFA-COL não devem passar de 7 mil.
A atuação do voluntariado nas Copas das Confederações e do Mundo é transformar os incautos que se inscreverem em uma legião de explorados com a anuência de um governo comandado por partido que diz representar os interesses dos trabalhadores. Em tempos outros, o PT jamais permitiria que a iniciativa privada explorasse de maneira vil os trabalhadores, a eles concedendo um prato de comida em troca de uma jornada de dez horas. Como disse certa feita o messiânico Lula, que agora palpita até na permanência do técnico da seleção, “nunca antes na história deste país”.

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